
Uma equipe internacional de antropólogos, liderada pela Dra. Marylin Masson da Universidade de Albany, descobriu que os moradores maias da vila missionária perdida de Hunacti, no México, no século XVI, mantiveram suas tradições religiosas ancestrais escondidas dentro de casas de arquitetura europeia. A resistência cultural foi identificada através da escavação de artefatos ritualísticos, como incensários com efígies de deuses maias, encontrados sob as ruínas de três residências da elite local.
A vila com suas ruas de pedra e igreja em estilo espanhol é um retrato da perseguição sofrida pela população do local, mas também demonstra a resiliência e adesão silenciosa às tradições religiosas maias, explica a antropóloga ao site da Universidade de Albany.
Hunacti foi abandonada apenas 15 anos após sua fundação e escavações em três residências revelam um assentamento que se mostrava alinhado às normas espanholas para as Américas, mas que no fundo, procurou manter práticas tradicionais maias, mesmo em frente às perseguições e desastres naturais que aconteciam na região do Yucatán. No estudo, a equipe de Masson demonstra como uma pequena cidade missionária enfrentou a difícil convivência com o domínio espanhol.
Hunacti é um paradoxo. Foi construída grandiosamente, inicialmente como líderes cooperativos, mas tornou-se conhecida pela resistência contínua, mesmo quando os custos eram altos.
A cidade tinha como função ser uma missão de visita, “uma comunidade satélite visitada periodicamente por frades franciscanos de centros maiores”. Tinha um traçado que refletia o design espanhol, com ruas quadriculadas que fluíam para uma praça central com uma igreja “contra o pano de fundo de pirâmides pré-hispânicas e prédios administrativos”. Em volta, três casas para a elite da cidade foram construídas em estilo espanhol. Foram essas casas estudadas pela equipe da Dra. Masson.
Registros históricos sugerem que os líderes do local tinham privilégios que outros maias não tinham durante o domínio espanhol, mas não foi esse o motivo da população ser perseguida.
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