Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 3 de julho de 2023 · 2 min de leitura ·

Água pode voltar a fluir em Marte novamente

Água pode voltar a fluir em Marte novamente

As ravinas, são erosões no solo que se formam como resultado da passagem de córregos e enxurradas. Além delas serem encontradas na Terra, essas formações também já foram observadas em Marte, onde são um quebra-cabeça e podem indicar que no futuro a água volte a correr por elas.

A dúvida é como essas ravinas se formam em Marte? A primeira hipótese foi de que elas surgiram a partir da sublimação do gelo de dióxido de carbono, no entanto, essas formações se parecem muito mais com as encontradas na Antártica, causadas pelo derretimento de geleiras. E agora um novo estudo, publicado na revista Science, sugere que a água líquida possa realmente ser a responsável pelas formações, e em um passado relativamente próximo. 

A explicação para isso é a inclinação do planeta. O ângulo da rotação de Marte em relação a sua trajetória em torno do Sol muda ao longo de centenas de milhares de anos. Em uma simulação, os pesquisadores perceberam que quando ele ultrapassa 35° graus a temperatura, circulação e densidade da atmosfera do planeta mudam a ponto da superfície se aquecer brevemente acima do ponto de congelamento, o suficiente para derreter o resto do gelo de água que ainda existe em Marte.

Os pesquisadores acreditam que isso aconteceu várias vezes nos últimos milhões de anos, tendo sido a última vez há cerca de 630 mil anos. Durante esses períodos, a água escorreu e formou as ravinas, podendo no futuro acontecer novamente.

Os pesquisadores também conseguiram calcular como as ravinas começaram, quanta erosão foi causada, e até onde elas podem chegar. O modelo foi ajustado à região de Terra Sirenum de Marte, comparando-o com o momento que se acredita que os barrancos expandiram rapidamente.

A erosão causada pela água líquida se ajusta melhor à paisagem marciana, do que a causada pelo dióxido de carbono, que além de não ter ocorrências na Terra para comparação, também não consegue causar efeitos na rocha como os observados. Mas os pesquisadores não descartam completamente a hipotes do CO₂.

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