Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 6 de agosto de 2026 · 2 min de leitura ·

Alface com gosto de porco? Cientistas transplantam proteína da carne para a hortaliça

Alface com gosto de porco? Cientistas transplantam proteína da carne para a hortaliça

Pesquisadores do Imperial College London anunciaram, em estudo publicado na revista Frontiers in Plant Science, que conseguiram fazer plantas de alface e tabaco produzirem mioglobina, proteína associada a características importantes da carne. O experimento representa a primeira demonstração desse tipo em plantas superiores.

A equipe utilizou uma técnica de engenharia genética para inserir versões otimizadas do gene da mioglobina suína nos cloroplastos das plantas. Os testes indicaram que as espécies modificadas permaneceram saudáveis, transmitiram a alteração genética às gerações seguintes e passaram a sintetizar a proteína.

Segundo os autores, a estratégia pode ampliar as possibilidades de produção sustentável de ingredientes destinados a alimentos de origem vegetal. Embora o rendimento ainda seja inferior ao encontrado na carne, os pesquisadores afirmam que o método tem potencial para reduzir o impacto ambiental associado à produção de proteínas.

O estudo teve como objetivo avaliar se plantas poderiam funcionar como plataformas para produzir mioglobina, proteína que exerce papel importante em características da carne apreciadas pelos consumidores. Para isso, os cientistas escolheram alface (Lactuca sativa) e tabaco (Nicotiana tabacum) como organismos de teste.

Para introduzir a característica desejada, os pesquisadores recorreram à transformação biolística, método conhecido pelo uso de um equipamento capaz de lançar material genético diretamente nos cloroplastos das células vegetais. Após a inserção das sequências genéticas, as plantas foram cultivadas até a fase adulta para verificar a estabilidade da modificação.

As análises confirmaram que o material genético permaneceu presente nas plantas e também foi herdado por seus descendentes. Além disso, os exemplares modificados continuaram férteis e não apresentaram prejuízos significativos ao processo de fotossíntese.

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