
Pesquisadores descobriram que compostos de enxofre derivados do alho podem afetar diretamente o processo de envelhecimento. Um estudo publicado na revista Cell Metabolism relata que camundongos machos que receberam esses compostos viveram mais e mantiveram força, memória e controle da glicose por mais tempo.
A pesquisa sugere que alimentos comuns podem conter sinais biológicos capazes de modular como o corpo envelhece.
No fígado dos animais, os efeitos apareceram primeiro: menos gordura acumulada e respostas à insulina mais eficientes. No Centro Andaluz de Biologia Molecular e Medicina Regenerativa em Sevilha (CABIMER), na Espanha, Alejandro Martín-Montalvo identificou que os compostos do alho ativam sinais de enxofre nas células. Isso não só prolongou a vida, mas também manteve os animais ativos, fortes e com memória preservada.
Embora os resultados sejam promissores, eles ainda vêm de estudos com ratos. Mesmo assim, a manutenção de funções físicas e cognitivas torna difícil considerar a descoberta apenas uma curiosidade de laboratório.
O alho libera moléculas de enxofre quando cortado ou mastigado. Duas dessas moléculas se destacam por gerar sulfeto de hidrogênio, um gás sinalizador natural do corpo. Nos ratos, ele protegeu células de danos e ajustou vias relacionadas ao metabolismo energético. Como humanos possuem sistema de sinalização parecido, o mecanismo parece relevante, mas a dosagem segura ainda é incerta.
Mais importante do que prolongar a vida é manter a qualidade dela. Chamado de “expectativa de saúde”, esse conceito mostra que os animais que receberam os compostos desde 20 semanas de idade viveram em média 877 dias, contra 787 dias dos ratos do grupo de controle. Ou seja, 11,4% a mais de vida, com preservação de movimento, memória e controle da glicose.
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