Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 22 de março de 2022 · 2 min de leitura ·

Âmbar de 30 milhões de anos conserva criatura que parece um louva-a-deus

Âmbar de 30 milhões de anos conserva criatura que parece um louva-a-deus

Crisopídeos são pequenos insetos predadores, cujas larvas podem ser usadas como agentes de controle de pragas na agricultura. Alguns deles se assemelham muito com outro inseto, o louva-a-deus. Embora esses animais tenham um longo registro geológico, que remonta ao Período Cretáceo, nenhum indivíduo adulto havia sido registrado no âmbar do Báltico, o que é surpreendente, já que o depósito fóssil localizado na região da Lituânia, Letônia e Estônia, é o maior e um dos mais estudados do mundo.

No entanto, isso mudou depois de um estudo feito em 2021. Uma equipe de pesquisa liderada por Viktor Baranov, da Universidade Luís Maximiliano de Munique (LMU), encontrou um belo espécime da mina Yantarny, no oblast de Kaliningrado, na Rússia. Jonas Damzen, um colecionador independente de âmbar e entusiasta da pesquisa de paleoentomologia, chamou a atenção dos pesquisadores para o espécime.

Depois de analisar sua morfologia, os paleontólogos descobriram que ele estava intimamente relacionado ao gênero conhecido como Mantispa. Animais desse gênero medem de 5 a 47 mm de comprimento e têm pernas proeminentes que agem como armadilhas para presas desavisadas. Essas pernas, também chamadas de raptoriais, dão a eles a aparência de louva-a-deus. A semelhança se deve à evolução convergente — um processo em que diferentes organismos adquirem características semelhantes à medida que se adaptam a condições parecidas.

Características importantes, no entanto, como venação da asa traseira e genitália foram obscurecidos pelo chamado “verlummung” – um filme branco que cobre muitos dos fósseis em âmbar do Báltico. Isso tornou impossível confirmar conclusivamente a identidade do inseto.

“Então, para lidar com essa incerteza, designamos este espécime como ‘provável Mantispa’ (Mantispa?)”, explica Baranov. No artigo de pesquisa da equipe publicado na revista Fossil Record, eles o apresentam como Mantispa? damzenogedanica. 

O nome é uma combinação de “Damzen”, em homenagem a Jonas Damzen, que o encontrou, e “gedanicum”, referindo-se a um nome latino para Gdańsk, na Polônia, onde o museu local mantém o espécime.

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