Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 11 de setembro de 2024 · 2 min de leitura ·

Amostras da Lua trazidas pela China revelam atividade vulcânica muito recente

Amostras da Lua trazidas pela China revelam atividade vulcânica muito recente

Novas evidências sugerem que a Lua pode ter sido vulcanicamente ativa muito mais recentemente do que se imaginava – e talvez ainda seja. Pequenas contas de vidro encontradas na superfície lunar, trazidas à Terra pela China com a missão Chang’e 5 em 2020, revelaram traços dessa atividade vulcânica, levantando questionamentos sobre a evolução geológica da Lua.

Estudos anteriores já indicavam que o satélite teve vulcanismo em seu passado distante. As áreas escuras que formam a ilusão do “Homem na Lua”, região composta por grandes planícies vulcânicas (mares lunares), se consolidaram entre três e 3,8 bilhões de anos atrás – e, por muito tempo, pensava-se que essa era a última vez que o astro havia sido vulcanicamente ativo. 

No entanto, as amostras da missão Chang’e 5 trouxeram uma nova perspectiva, sugerindo erupções vulcânicas ocorridas há apenas 123 milhões de anos, com uma margem de incerteza de 15 milhões de anos.

Esse período pode parecer antigo em termos humanos, mas no contexto geológico, é bastante recente. Isso sugere que a Lua pode ter permanecido ativa ao longo de sua história e, potencialmente, ainda estar em atividade vulcânica. 

A descoberta foi feita a partir de três pequenas contas de vidro, de um total de três mil, encontradas em 1,7g de amostras de solo lunar. Essas contas foram cuidadosamente analisadas por uma equipe liderada por Bi-Wen Wang e Qian Zhang, do Instituto de Geologia e Geofísica da Academia Chinesa de Ciências, em Pequim. Os resultados foram publicados este mês na revista Science.

De acordo com o estudo, essas contas de vidro podem se formar de duas maneiras. A mais comum é por meio de impactos de asteroides, quando a rocha derrete e se transforma em vidro devido à intensa pressão. Isso é visível nas inúmeras crateras lunares.

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