
Um estudo apresentado na Conferência de Ciências Lunares e Planetárias de 2026, no Texas, EUA, sugere que os anéis de Saturno podem ter se formado há cerca de 100 milhões de anos, depois que uma lua hipotética chamada “Crisálida” se fragmentou perto do gigante gasoso. A pesquisa usa simulações para entender se esse corpo poderia gerar o gelo e a massa que hoje compõem a estrutura mais marcante do planeta.
Saturno se formou pouco depois de Júpiter, cerca de 10 milhões de anos após o Sol. Os anéis são surpreendentemente limpos, com 98% de gelo de água pura, segundo a NASA – algo raro para estruturas que enfrentam poeira do espaço por bilhões de anos.
A equipe modelou Crisálida como uma lua com núcleo rochoso e manto de gelo. Eles testaram se forças de maré próximas a Saturno poderiam remover parte do manto sem destruir o núcleo. Quando uma lua se aproxima demais de um planeta gigante, a gravidade puxa mais forte algumas partes do que outras, causando tensão que fragmenta o gelo, mas preserva o núcleo mais resistente.
As simulações mostraram que, em certas órbitas, a gravidade de Saturno arrancava grande parte do manto gelado, enquanto o núcleo permanecia quase intacto. A maior parte das rochas continuava na lua remanescente, explicando a composição predominante de gelo nos anéis.
Segundo os cientistas, as partículas de gelo ejetadas se dividiam: parte formava os anéis e parte era expulsa para o espaço. Originalmente, os anéis poderiam ter sido ainda mais massivos, mas a gravidade das luas de Saturno, como Titã, reduziu sua massa em até 70%.
O estudo conclui que a remoção de material por marés de Crisálida é um cenário plausível para explicar a formação dos anéis. A pesquisa sugere que evidências podem ser encontradas nas luas de Saturno, que teriam recebido partículas desprendidas desse evento.
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