
Um artigo disponível no repositório de pré-impressão arXiv, já aceito para publicação pelo Planetary Science Journal, propõe que Titã, a maior lua de Saturno, pode ter surgido da colisão e fusão de dois satélites antigos do planeta.
Segundo os autores, esse evento violento teria desencadeado mudanças profundas no sistema saturniano. Entre elas, estaria até mesmo a formação dos famosos anéis do planeta.
Quando a missão Cassini-Huygens – parceria entre NASA, Agência Espacial Europeia (ESA) e Agência Espacial Italiana (ASI) – chegou a Saturno, em 2004, revelou um conjunto de luas com características incomuns. Titã chamou atenção por ser a segunda maior lua do Sistema Solar e a única com atmosfera densa e rica em compostos orgânicos.
Outros satélites também intrigaram os cientistas. Hipérion tem formato irregular e superfície cheia de cavidades, lembrando uma esponja gigante. Jápeto, por sua vez, apresenta dois hemisférios com cores contrastantes, como se fosse dividido entre claro e escuro, além de ter uma órbita bastante inclinada.
Os anéis de Saturno, os mais impressionantes do Sistema Solar, também podem fazer parte do enigma. Estudos indicam que eles têm cerca de 100 milhões de anos – uma idade considerada jovem em termos astronômicos. Mesmo assim, sua origem ainda é debatida, pois não há consenso sobre como e quando se formaram.
A nova hipótese foi liderada por Matija Ćuk, cientista planetário do Instituto SETI. Ele e sua equipe sugerem que a fusão de duas luas antigas deu origem ao Titã atual. Esse impacto teria desencadeado uma sequência de efeitos capazes de explicar tanto os anéis quanto as órbitas incomuns de outras luas.
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