
Um artigo publicado nesta terça-feira (7) na revista Nature Astronomy traz uma nova pista sobre um dos maiores mistérios da Lua: a origem da água congelada na superfície. O estudo sugere que esse gelo não surgiu de um único evento isolado, como a queda de um grande cometa, mas foi se acumulando lentamente ao longo de bilhões de anos.
Conduzida por uma equipe internacional de cientistas, a pesquisa aponta que as crateras mais antigas da Lua – principalmente na região do polo sul – concentram maiores quantidades de gelo. Esse padrão indica que o processo de formação e depósito de água ocorreu de forma contínua, acompanhando a longa história do satélite natural.
Essa descoberta ajuda a explicar por que o gelo lunar não está distribuído de maneira uniforme. Há décadas, cientistas tentam entender por que algumas regiões possuem mais água congelada do que outras, e agora surge uma explicação baseada no tempo de exposição dessas crateras às condições ideais para preservar o gelo.
Desde missões espaciais passadas, já se sabe que a Lua abriga água em forma de gelo. Esse material está localizado em crateras profundas que nunca recebem luz solar direta, conhecidas como “armadilhas frias”. Nessas áreas, a temperatura permanece extremamente baixa por bilhões de anos, permitindo a conservação do gelo.
Mesmo com essa informação, permanecia uma dúvida importante: por que algumas dessas crateras acumulam mais gelo do que outras? Para responder a essa questão, os pesquisadores combinaram dados de temperatura da superfície lunar com simulações que mostram como as crateras evoluíram ao longo do tempo.
Os dados analisados foram coletados por instrumentos da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), da NASA, lançada em 2009. Ao cruzar essas informações com modelos computacionais, os cientistas verificaram que crateras mais antigas e que permaneceram mais tempo na sombra têm maior probabilidade de concentrar gelo.
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