Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de maio de 2026 · 2 min de leitura ·

Vênus pode esconder sondas soviéticas preservadas até hoje

Vênus pode esconder sondas soviéticas preservadas até hoje

Pesquisadores sugerem que algumas das antigas sondas enviadas a Vênus pela União Soviética e pela NASA podem ainda existir na superfície do planeta, contrariando a ideia de que elas teriam sido rapidamente destruídas pelas condições extremas do ambiente venusiano. O estudo foi publicado na revista científica Geoarchaeology.

Entre 1961 e 1984, a União Soviética lançou 18 sondas como parte dos programas Venera e Vega. Dessas, 10 conseguiram pousar no planeta mais quente do Sistema Solar. Algumas chegaram a operar por poucos minutos ou horas, transmitindo dados e imagens inéditas da superfície venusiana antes de pararem de funcionar devido ao calor intenso e à pressão atmosférica extrema.

A superfície de Vênus registra temperaturas próximas de 467 °C, superiores até mesmo às de Mercúrio. Além disso, a pressão atmosférica chega a cerca de 92 vezes a pressão ao nível do mar na Terra. Segundo os autores do estudo, essas condições levaram cientistas a acreditar por décadas que qualquer vestígio das missões seria rapidamente apagado.

O artigo destaca ainda que o planeta possui processos geológicos ativos, incluindo eventos vulcânicos, sísmicos e movimentações de massa. Por isso, predominava a hipótese de que restos artificiais desapareceriam em pouco tempo.

Apesar disso, os pesquisadores argumentam que a situação pode ser diferente. De acordo com a análise, a atmosfera extremamente densa de Vênus reduz a velocidade de impacto dos objetos durante a descida. Isso significa que, mesmo deformadas e inutilizadas, partes metálicas das sondas podem ter permanecido na superfície.

As primeiras sondas soviéticas, como Venera 3, 4, 5, 6, 7 e 8, foram desenvolvidas numa época em que parte da comunidade científica acreditava que Vênus poderia ter características semelhantes às da Terra, incluindo até possíveis oceanos.

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