Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 26 de janeiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Aparentemente, Marte teve água por mais tempo do que pensávamos

Aparentemente, Marte teve água por mais tempo do que pensávamos

Segundo uma revisão de informações coletadas pelo Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), Marte só perdeu sua água líquida bem depois do que o consenso científico vinha dizendo. De acordo com os dados, sinais do “líquido da vida” foram identificados em sais minerais de aproximadamente dois bilhões de anos atrás.

Antes disso, pensava-se que a água havia evaporado do planeta vermelho há três bilhões de anos ou mais. A descoberta muda alguns dos conceitos pré-estabelecidos sobre a evolução de Marte ao longo das eras.

Há bilhões de anos, Marte tinha diversos corpos de água — alguns, bem imensos — percorrendo a sua superfície. Com o tempo, porém, a radiação solar e o campo eletromagnético do próprio planeta vermelho foram desgastando a sua atmosfera. Hoje, ela ainda existe, mas é tão fina que oferece virtualmente zero proteção contra os raios cósmicos do espaço. Com a redução da pressão atmosférica, a água evaporou e deixou todo o planeta com o aspecto desértico e árido que conhecemos hoje.

No entanto, cientistas da Caltech, liderados pela estudante de doutorado Ellen Leask, revisaram cerca de 15 anos de informações do MRO, identificando a presença de vários tipos de sais de cloreto ao longo do hemisfério sul de Marte — especificamente, por toda uma parte rica em argila e altamente permeada por crateras de impacto.

Essas crateras, na verdade, é que foram essenciais para o estudo: quanto menos crateras uma área tem, mais jovem ela é. Por essa razão, o MRO conta com dois instrumentos bastante eficientes nesse tipo de análise: a Context Camera e o High-Resolution Imaging Experiment (HiRISE, na sigla em inglês).

O primeiro consiste de uma lente grande angular para imagens em preto-e-branco, enquanto o outro é uma câmera colorida com detalhamento tão rico que permite enxergar, do espaço, os rovers que a NASA tem na superfície do planeta vermelho.

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