
Até o momento, já são mais de cinco mil exoplanetas confirmados em 3.711 sistemas planetários, com outros mais de 8,7 mil candidatos aguardando confirmação. Com tantos mundos disponíveis para estudo e diante das cada vez mais importantes melhorias na sensibilidade dos telescópios e na análise de dados, o foco sai da descoberta e passa para a identidade / caracterização desses corpos.
Ou seja, quase tão ou ainda mais importante do que saber que esses planetas existem é examiná-los para identificar mundos “potencialmente habitáveis”, em busca de possíveis “bioassinaturas”. Isso se refere às assinaturas químicas associadas à vida e aos processos biológicos, sendo uma das mais importantes delas a água.
Como o único solvente conhecido sem o qual a vida (como a conhecemos) não pode existir, a água é considerada a referência para encontrar a vida. Em um estudo recente, os astrofísicos Dang Pham e Lisa Kaltenegger explicam como pesquisas futuras (quando combinadas com aprendizado de máquina) podem discernir a presença de água, neve e nuvens em exoplanetas distantes.
Pham é um estudante de pós-graduação da Universidade de Toronto, onde se especializou em pesquisa de dinâmica planetária. Lisa é professora associada de Astronomia na Universidade de Cornell, Diretora do Instituto Carl Sagan e especialista em modelagem de mundos potencialmente habitáveis e na caracterização de suas atmosferas.
“A água líquida na superfície de um planeta é uma das armas fumegantes para a vida potencial – digo potencial aqui porque não sabemos o que mais precisamos para começar a vida. Mas a água líquida é um ótimo começo. Então usamos o slogan da Nasa de ‘apenas siga a água’ e nos perguntamos ‘como podemos encontrar água na superfície de exoplanetas rochosos na zona habitável?’”, disse Lisa. “Fazer espectroscopia é demorado, por isso estamos procurando uma maneira mais rápida de identificar inicialmente planetas promissores – aqueles com água líquida”.
Atualmente, os astrônomos estão limitados a procurar a absorção da linha Lyman-alfa, que indica a presença de gás hidrogênio na atmosfera de um exoplaneta. Ele é um subproduto do vapor de água atmosférico que foi exposto à radiação ultravioleta solar, fazendo com que se dissocie quimicamente em hidrogênio e oxigênio molecular (O2) – o primeiro dos quais é perdido no espaço enquanto o último é retido.
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