Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 6 de agosto de 2025 · 2 min de leitura ·

Aquecimento global pode despertar vulcões escondidos pelo gelo da Antártida

Aquecimento global pode despertar vulcões escondidos pelo gelo da Antártida

Sob as espessas camadas de gelo da Antártida há uma cadeia de vulcões, muitos ainda adormecidos ou ocultos pela neve. Embora a maioria esteja inativa, alguns cientistas alertam que o rápido derretimento do gelo causado pelas mudanças climáticas pode reativar esses gigantes geológicos.

A última grande fase de degelo do planeta aconteceu entre 12 mil e 7 mil anos atrás, ao fim da era glacial mais recente. Durante esse período, a atividade vulcânica em áreas terrestres aumentou até seis vezes mais que o normal. A explicação está na redução da pressão sobre o manto da Terra, facilitando a subida do magma e provocando erupções.

Hoje em dia, com o aquecimento global impulsionado por atividades humanas, a Antártida dá sinais de que pode repetir esse cenário. O continente tem enfrentado ondas de calor e perdas expressivas de gelo, o que levanta a possibilidade de um novo aumento na atividade vulcânica.

O alívio da pressão sobre os vulcões pode provocar um efeito semelhante ao de uma garrafa de espumante sendo aberta: os gases presos no magma são liberados de forma explosiva, alimentando erupções. Essa imagem foi usada por pesquisadores em artigo recente publicado pela revista Science.

A Antártida abriga mais de 130 vulcões conhecidos, com alguns deles enterrados sob o gelo. Poucos estão ativos, como o Monte Érebo, o mais alto da região, que está em erupção constante há décadas e já foi flagrado expelindo até poeira de ouro. 

Na última deglaciação, a liberação de cinzas escuras pelos vulcões aumentou o derretimento da camada de gelo por diminuir o chamado efeito albedo, que faz com que superfícies escuras retenham mais calor em relação às claras. Esse processo pode se repetir, com consequências ainda mais graves. 

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