
Pesquisadores estudaram fósseis para entender como era o ar respirado pelos dinossauros há mais de 150 milhões de anos. O grupo analisou isótopos de oxigênio para estimar os níveis de gás carbônico na atmosfera e compreender melhor o clima pré-histórico, possivelmente marcado por uma atividade vulcânica intensa.
A equipe partiu do fato de que o ambiente deixa marcas químicas nos seres vivos, principalmente nos ossos e dentes. Ao se analisar as variações dos elementos presentes na natureza, conhecidas como isótopos, é possível indicar as mudanças ecológicas e climáticas que ocorreram durante a vida de um organismo.
O estudo foi publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) neste mês. Nele, os pesquisadores analisam o oxigênio-17, um isótopo raro presente em uma pequena fração das moléculas de dióxido de oxigênio, o gás essencial na respiração dos seres vivos.
Segundo a equipe, os vertebrados incorporam parte desse isótopo em sua reserva de água corporal, e uma pequena fração é utilizada na formação do esmalte dos dentes, onde pode permanecer preservado por milhões de anos, servindo como um valioso registro do ambiente e do clima do passado.
Esse método foi testado em uma pesquisa de 2024 a partir da análise dos dentes de animais atualmente vivos. O estudo demonstrou que os níveis de isótopos de oxigênio contidos em dentições são uma representação precisa da quantidade de CO₂ na atmosfera.
Para os dinossauros, o grupo analisou o pó de esmalte retirado de espécimes das coleções de oito museus em diversos países da Europa e da América do Norte, como o Museu de História Natural de Berlim, na Alemanha, e o Museu Royal Tyrrell, no Canadá.
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