Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de abril de 2022 · 2 min de leitura ·

Arqueólogos encontram evidência mais antiga de uso do calendário maia

Arqueólogos encontram evidência mais antiga de uso do calendário maia

Um templo na Guatemala escondia dois fragmentos do que arqueólogos afirmam ser a evidência mais antiga de uso do calendário maia, em referência a uma das mais antigas e mais avançadas civilizações pré-colombianas da América Latina.

Segundo análise feita em radiocarbono, os dois fragmentos – que, juntos, leem “7 CHIB´AAT” (“corsa” ou “veado” em uma tradução aproximada) – são de alguma época entre 300 a.C (antes de Cristo) e 200 a.C. Segundo historiadores, essa parte do calendário é diferente da chamada “Conta Longa”, que se tornou conhecida por ser aquela que “previa” o fim do mundo em 2012.

Compreender a marcação dos dias, meses e anos dos maias requer um estudo mais amplo: de acordo com especialistas, de três a quatro formatos de calendário eram usados ao mesmo tempo – além da Conta Longa, eles também aplicavam o “calendário divino” (Tzolk’in), de onde esses fragmentos vêm. Esse calendário tinha 260 dias por ano, sendo marcado por uma combinação de 13 números e símbolos representando alguns dias – “veado” sendo um desses símbolos.

Apesar da fama e de serem responsáveis pelo aprimoramento do sistemas, não foram os maias quem inventaram esse formato, que encontra evidências de uso também em outras civilizações anteriores a eles – e muitas depois, como os astecas. Hoje, formas desta contagem ainda podem ser encontradas dentro dos maias modernos.

“Esse é o único calendário que sobrevive a todas as conquistas e guerras civis da Guatemala”, disse David Stuart, autor primário do estudo e professor de Escrita e Arte Mesoamericana na Universidade do Texas-Austin. “Os maias de hoje, em muitas comunidades, mantiveram esse formato como uma forma de se conectar aos seus ideais de destino e como as pessoas se relacionam com o mundo ao seu redor. Não é “reviver” um costume antigo, mas sim preservá-lo”.

Stuart foi parte da equipe que descobriu o sítio arqueológico de San Bartolo, ao norte da Guatemala, em 2001. Neste mesmo lugar, agora, foram encontrados os fragmentos, que o especialista afirma serem parte de um mural. A região, no auge da civilização maia, correspondia à antiga cidade de Tikal. Nesta cidade também havia imensas pirâmides e projetos arquitetônicos. Até hoje, ninguém conseguiu determinar o motivo, mas a maioria dos historiadores afirmam que Tikal foi gradualmente abandonada pelo seu povo, devido à superpopulação e escassez de alimentos.

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