Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 13 de dezembro de 2024 · 2 min de leitura ·

“Arroto” do primeiro buraco negro fotografado revela segredos cósmicos

"Arroto" do primeiro buraco negro fotografado revela segredos cósmicos

Em 2018, cientistas realizaram um feito histórico ao capturar a primeira imagem de um buraco negro supermassivo, localizado no coração da galáxia M87. Esse marco foi possível graças à colaboração internacional do Event Horizon Telescope (EHT), que reuniu telescópios ao redor do mundo para observar o núcleo galáctico.

Agora, uma equipe de pesquisadores descobriu algo ainda mais surpreendente: o buraco negro provocou uma erupção de raios gama, que ocorre quando jatos de plasma em alta velocidade são expelidos de seus polos.

A erupção de raios gama foi detectada durante a mesma campanha que resultou na famosa imagem do buraco negro. Giacomo Principe, astrofísico da Universidade de Trieste, na Itália, destacou em um comunicado que essa foi a primeira detecção de tal explosão na galáxia M87 em mais de uma década, oferecendo novas informações sobre a região que gerou essa emissão energética.

Segundo Principe, essas observações ajudam os cientistas a entender melhor o comportamento das fontes de raios gama em galáxias distantes, ampliando o conhecimento humano sobre buracos negros e os fenômenos extremos associados a eles.

M87, uma galáxia localizada a cerca de 55 milhões de anos-luz da Terra, foi escolhida para essa observação histórica porque seu buraco negro central está ativamente alimentando-se de uma enorme nuvem de material, como gás e poeira. Esse processo dispara jatos de partículas e radiação visível, que é observada como uma mancha brilhante na imagem de M87* – como um colossal “arroto” após uma comilança em excesso.

Esses jatos, que se estendem por vastas distâncias além da galáxia, são formados quando o material em queda no buraco negro é desviado pelas poderosas linhas de seu campo magnético. Esse material é acelerado até velocidades próximas à da luz e lançado para o espaço, criando jatos astrofísicos. M87 possui alguns dos jatos mais poderosos já observados, e investigá-los é crucial para entender como os buracos negros supermassivos operam.

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