Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 9 de abril de 2024 · 2 min de leitura ·

Arte rupestre peruana de dois mil anos pode retratar música psicodélica

Arte rupestre peruana de dois mil anos pode retratar música psicodélica

Gravuras antigas encontradas em rochas vulcânicas no sul do Peru podem ser a representação gráfica da música que foi executada durante rituais xamânicos envolvendo plantas alucinógenas há cerca de dois mil anos.

Formada por figuras humanas dançantes cercadas por linhas em ziguezague e outras formas geométricas, a arte enigmática foi recentemente examinada por pesquisadores que concluíram que esses desenhos abstratos podem retratar as canções que “transportaram os participantes para outras dimensões durante suas viagens psicodélicas”.

Esses registros pré-colombianos foram encontrados na Toro Muerto, em desfiladeiro desértico que contém uma das mais ricas coleções de arte rupestre da América do Sul. O local está repleto de milhares de pedregulhos, e cerca de 2,6 mil deles apresentam gravuras antigas.

Um artigo publicado este mês no Cambridge Archaeological Journal descreve a descoberta dos arqueólogos, no qual eles relatam que as obras contêm “uma repetição quase esmagadora de imagens de figuras humanas dançantes, únicas na região, e um acúmulo extraordinário de padrões geométricos, na maioria das vezes na forma de ziguezague vertical, linhas retas e sinuosas variando em largura, às vezes com pontos ou círculos acompanhantes”. 

Para defender essa hipótese, os pesquisadores apontam semelhanças marcantes entre os desenhos de Toro Muerto e as obras de arte tradicionais da cultura Tukano na Amazônia colombiana. 

No caso desta última, os desenhos geométricos foram ligados às visões induzidas pela bebida alucinógena ayahuasca, que é ingerida por comunidades indígenas amazônicas há milênios durante rituais.

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