
Um estudo publicado este mês na revista Nature registrou um momento nunca observado diretamente pelos astrônomos: os restos de uma estrela semelhante ao Sol sendo gradualmente dissolvidos e incorporados ao gás interestelar.
O fenômeno ocorre na Nebulosa da Hélice, que fica a cerca de 650 anos-luz da Terra, na constelação de Aquário.
A descoberta ajuda a entender o destino de estrelas como o Sol. Depois de bilhões de anos, esses astros esgotam o hidrogênio disponível em seu núcleo, combustível usado nas reações de fusão nuclear. O núcleo então se contrai, enquanto as camadas externas se expandem e a estrela entra na fase de gigante vermelha.
No fim desse processo, a estrela perde suas camadas externas, que são lançadas ao espaço e formam uma nebulosa planetária. O núcleo que permanece no centro se transforma em uma anã branca, um objeto extremamente denso que já não realiza as mesmas reações de fusão que sustentavam a estrela durante sua vida.
Na Nebulosa da Hélice, os pesquisadores conseguiram acompanhar uma etapa posterior desse ciclo. O material expelido pela antiga estrela se espalha pelo meio interestelar, região que contém gás e poeira entre os astros. Aos poucos, esses restos são fragmentados e incorporados a esse ambiente.
A observação foi feita durante testes do MOTHRA, sigla em inglês para Conjunto Robótico Hiperespectral Telefoto Óptico Modular, instalado no Observatório El Sauce, no Chile. O equipamento está sendo desenvolvido para detectar estruturas extremamente tênues de gás na Via Láctea.
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