Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 23 de setembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Asteroide menor e mais veloz que o esperado desafia pouso de sonda japonesa

Asteroide menor e mais veloz que o esperado desafia pouso de sonda japonesa

Lançada pela Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA) em dezembro de 2014 para coletar amostras do asteroide Ryugu, que foram entregues à Terra seis anos depois, a sonda Hayabusa2 segue em missão estendida. O objetivo agora é repetir o feito em outro asteroide, o 1998 KY26, o que deve acontecer em 2031. Mas isso se a espaçonave conseguir pousar no alvo – algo que já não se tem tanta certeza.

Imagens recentes obtidas por grandes observatórios, como o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO) no Chile, mudaram a visão dos cientistas sobre o objeto. As novas medições mostram que ele é quase três vezes menor e gira muito mais rápido do que se pensava.

Um estudo publicado este mês na revista Nature Communications, liderado pelo astrônomo Toni Santana-Ros, da Universidade de Alicante, na Espanha, revelou que o asteroide tem apenas 11 metros de diâmetro, e não 30, como apontavam os primeiros cálculos. Além disso, ele completa uma volta em torno de si mesmo em cerca de cinco minutos, o dobro da velocidade estimada em observações anteriores. 

Em um comunicado, o astrônomo Olivier Hainaut, do ESO na Alemanha, diz que essas novas medidas tornam a visita da Hayabusa2 mais fascinante, mas mais arriscada também. Isso porque a manobra de pouso, em que a sonda encosta suavemente no asteroide, ficará mais difícil com um alvo tão pequeno e veloz.

O 1998 KY26 deve ser o destino final da missão. A Hayabusa2 já havia explorado o asteroide Ryugu, de 900 metros, em 2018, trazendo amostras para a Terra em 2020. Como ainda restava combustível, a JAXA decidiu estender a jornada até 2031 para estudar asteroides menores. Será a primeira vez que uma espaçonave tentará visitar um corpo celeste tão compacto.

Para ajudar na preparação, Santana-Ros e sua equipe observaram o KY26 quando ele se aproximou da Terra. Por ser um objeto minúsculo e pouco brilhante, foi preciso usar telescópios de grande porte, como o VLT.

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