
Criar espaços para o armazenamento de alimentos é uma prática comum de governos mundo afora. Essa é uma forma de evitar o desperdício e garantir que haja estoques disponíveis em momentos de necessidade.
Mas um caso específico acaba chamando a atenção. Os Estados Unidos contam com reservas de mais de 635 milhões de quilos de queijo, sendo que muitas delas estão localizadas a centenas de metros abaixo do solo.
Essa curiosa história trouxe um legado que pode ser observado até hoje: a superprodução da indústria de laticínios. Um cenário que, mais recentemente, criou uma nova necessidade de armazenar a grande quantidade de produtos. Com os picos sazonais na produção do leite e queda no consumo de queijo, o governo dos EUA decidiu criar as chamadas cavernas de queijo.
Os espaços são mantidos em antigas minas de calcário e desenvolvidos para o armazenamento dos alimentos. As temperaturas frias e estáveis nas cavernas mantêm os produtos frescos, evitando o apodrecimento e consequente desperdício. Atualmente, estima-se que a Casa Branca guarde 635 milhões de quilos de queijo.
Apesar do nobre propósito, a iniciativa é alvo de críticas. Primeiro em função dos altos custos de manutenção destes espaços em um momento em que a demanda não está tão alta. Ao mesmo tempo, a pecuária leiteira contribui para o agravamento da crise climática, gerando questionamentos se é necessário ter uma produção e um estoque tão grandes assim.
Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
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