Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 24 de junho de 2021 · 3 min de leitura ·

Asteroide que matou os dinossauros ainda interfere na vida microbiana da Terra

Asteroide que matou os dinossauros ainda interfere na vida microbiana da Terra

Um grupo de pesquisadores da Curtin University, na Austrália, descobriu que o impacto causado por um asteroide que exterminou os dinossauros, há 66 milhões de anos, continua influenciando a vida microbiana da Terra. O estudo foi publicado na Frontiers in Microbiology.

O grupo, que estuda há algum tempo os microrganismos que vivem nas rochas no local onde o asteroide caiu, em Chicxulub, no México, usou sequenciamento de genes, contagens de células e experimentos de incubação para identificar os microrganismos. Os resultados mostraram que enquanto o impacto causou graves perturbações aos organismos e ecossistemas que vivem na superfície, a cratera que ficou após o impacto pode ser um lugar de alimento perfeito uma nova vida.

“O calor e a pressão do impacto criaram uma área esterilizada que causou a extinção localizada dos micróbios residentes”, disse Bettina Schaefer, do WA-Organic and Isotope Geochemistry Center (WA-OIGC) na Escola de Ciências da Terra e Planetária de Curtin, e autora do estudo. “No entanto, cerca de um milhão de anos após o impacto, a cratera esfriou a temperaturas baixas o suficiente para que a vida microbiana retornasse e evoluísse isolada da vida na superfície da Terra nos últimos 65 milhões de anos.”

Segundo o geomicrobiologista e professor associado Marco Coolen, também do WA-OIGC, foram encontradas bactérias nas rochas granitas que foram atingidas pelo impacto do asteroide e os fragmentos onde elas proliferaram não possuíam nutrientes e ainda estavam relativamente quentes (70C), mas, mesmo assim conseguiram se manter. A descoberta sugere, de acordo com o estudo, que “o impacto produziu um novo horizonte litológico que causou uma melhoria a longo prazo no potencial de colonização subterrânea profunda.”

“As descobertas deram uma visão sobre a vida microbiana em ambientes extremos e como a vida se recupera de eventos extremos, como colisões de asteroides”, disse o professor Coolen. “Como a biosfera microbiana profunda desempenha um papel importante no ciclo global do carbono, é interessante investigar como as comunidades microbianas foram capazes de se recuperar desse evento geológico catastrófico”, acrescentou o especialista, ressaltando a importância de estudos do tipo para entender de que forma a biosfera profunda vem sendo moldada, além de entender as possibilidades de recuperação da vida diante de desastres naturais ou das causadas pelo homem.

“Com a crescente preocupação com um possível desastre ecológico gerado pelo homem ou impacto de um asteroide, a pesquisa sobre como a vida na Terra respondeu às principais mudanças ambientais, ecológicas e evolutivas, como extinções em massa do passado geológico, é crucial para uma maior compreensão da resiliência da vida na Terra, que é uma direção de pesquisa mais ampla.”

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