
Pela primeira vez na história, um astronauta com deficiência física foi autorizado a participar de missões na Estação Espacial Internacional (ISS).
O britânico John McFall, membro reserva do corpo de astronautas da Agência Espacial Europeia (ESA), recebeu a certificação médica necessária para missões de longa duração. O anúncio foi feito pela ESA em uma coletiva de imprensa na sexta-feira (14), marcando um passo significativo na inclusão no setor espacial.
McFall perdeu a perna direita em um acidente de moto aos 19 anos e usa uma prótese. Ele foi selecionado pela ESA em 2022 como parte de um esforço para avaliar a viabilidade de pessoas com deficiência física no espaço. Desde então, passou por uma série de testes e treinamentos para garantir sua segurança e a dos demais membros da tripulação da ISS.
Chamado “Fly!”, o projeto examinou mais de 80 aspectos técnicos e operacionais. Foram analisadas questões médicas, treinamento, adaptação da espaçonave e impacto da deficiência nas operações da estação. Segundo Jerome Reineix, gestor do estudo na ESA, o principal desafio não foi técnico, mas cultural. “As pessoas têm preconceitos sobre o que alguém com deficiência física pode alcançar”.
Daniel Neuenschwander, diretor de exploração humana e robótica da ESA, celebrou a certificação de McFall. “Este é um passo incrível para ampliar o acesso ao espaço”. Segundo ele, a avaliação rigorosa superou até mesmo expectativas internas, mostrando que não havia impedimentos críticos para a participação de McFall em uma missão de longa duração.
Embora já tenha saído a liberação médica, McFall ainda não tem uma data definida para viajar ao espaço. Ele faz parte de um grupo de 12 astronautas reservas da ESA, que aguardam oportunidades de voo. A agência prioriza missões de longa duração para astronautas de carreira em tempo integral, mas o britânico pode ser escalado para uma missão privada no futuro.
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