Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 21 de março de 2022 · 3 min de leitura ·

Astronautas homens podem ficar mais tempo no espaço do que mulheres; entenda o porquê

Astronautas homens podem ficar mais tempo no espaço do que mulheres; entenda o porquê

Diariamente, a Terra é bombardeada por radiação ionizante – ondas de alta energia capazes de remover elétrons dos átomos do corpo. Altos níveis de exposição à radiação ionizante podem levar à doença da radiação e ao câncer. Felizmente, a magnetosfera e a atmosfera do nosso planeta impedem que quase toda essa radiação – gerada pelo Sol e pelos raios cósmicos galácticos das explosões de estrelas – atinja a vida na superfície da Terra. Ocorre que a Estação Espacial Internacional (ISS) não é protegida pela atmosfera, de modo que os astronautas estão expostos a níveis mais altos de radiação ionizante, o que aumenta o risco de desenvolver câncer ao longo de suas carreiras.

De acordo com os limites atuais, estabelecidos pela Nasa em 1989, o limite de dose efetivo para a carreira de um astronauta é baseado em um risco máximo de 3% de mortalidade por câncer ao longo da vida. Esse risco é avaliado com uma escala móvel baseada em idade e sexo, variando de um limite inferior de carreira de 180 milisieverts (mSv) de radiação para uma mulher de 30 anos a um limite superior de carreira de 700 mSv para uma mulher de 60 anos. 

Há um limite de carreira mais baixo para exposição à radiação para astronautas do sexo feminino do que para astronautas do sexo masculino. R. Julian Preston, funcionário da divisão de proteção contra radiação da Agência de Proteção Ambiental dos EUA, esclarece que o limite de radiação mais baixo da Nasa para astronautas do sexo feminino foi baseado em uma descoberta sobre a resistência feminina à radiação. Mulheres e homens foram expostos a altos níveis de radiação por períodos semelhantes de tempo, e os testes revelaram que as mulheres tinham mais que o dobro do risco que os homens tinham de desenvolver câncer de pulmão.

“Tem sido geralmente considerado – com base principalmente nos sobreviventes das bombas atômicas no Japão – que, particularmente para o câncer de pulmão, as mulheres eram mais sensíveis à radiação ionizante do que os homens”, disse Preston, que faz parte de comitês do Conselho Nacional de Proteção e Medições Radiológicas.

Em 2018, a ex-chefe do corpo de astronautas da Nasa Peggy Whitson, que havia manifestado publicamente suas frustrações com os limites de radiação para mulheres astronautas, teve que se aposentar depois de atingir seu limite, aos 57 anos.

É possível que os limites de radiação firmados pela Nasa mudem em um futuro próximo. Em 2021, a agência solicitou a um painel de especialistas convocado pelas Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina para avaliar seu plano de alterar o limite de radiação de carreira para 600 mSv para todos os astronautas de todas as idades. 

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