
Uma estrutura identificada na Via Láctea apresenta uma menor proporção de elementos pesados do que qualquer outro sistema estelar conhecido em nossa galáxia. A descoberta, descrita em um artigo científico publicado nesta quarta-feira (5) na revista Nature, foi feita por meio do Observatório Gemini, um programa do Laboratório Nacional de Pesquisa em Astronomia Óptica-Infravermelha dos EUA (NOIRLab).
Segundo as observações, as estrelas do fluxo estelar C-19 foram arrancadas de um antigo aglomerado e são relíquias dos primórdios da Via Láctea, que poderiam fornecer dados sobre a formação das primeiras estrelas.
Uma equipe internacional de pesquisadores, incluindo membros da União Europeia, Canadá e Rússia, é responsável pela descoberta, que fica ao sul da Via Láctea. Sua órbita se estende a cerca de 20 mil anos-luz do centro galáctico em sua posição mais próxima e cerca de 90 mil anos-luz em seu ponto mais distante.
Segundo os cientistas, o sistema estelar se estende por uma impressionante área do céu noturno — cerca de 30 vezes a largura da Lua cheia — embora não seja visível a olho nu.
Usando o telescópio Gemini North, localizado no Havaí, e o instrumento Gemini Remote Access to CFHT ESPaDOnS Spectrograph (GRACES), ambos do Observatório Gemini, a equipe percebeu que o C-19 é um remanescente de um aglomerado globular.
Pensava-se, anteriormente, que os aglomerados globulares tinham metalicidade não inferior a 0,2%, mas a do C-19 é sem precedentes: menos de 0,05%. A descoberta de que um fluxo de baixa metalicidade originou-se de um aglomerado globular tem implicações para a formação de estrelas, aglomerados estelares e galáxias no universo primitivo.
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