Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 5 de janeiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Astrônomos descobrem sistema estelar menos ‘metálico’ da Via Láctea

Astrônomos descobrem sistema estelar menos 'metálico' da Via Láctea

Uma estrutura identificada na Via Láctea apresenta uma menor proporção de elementos pesados do que qualquer outro sistema estelar conhecido em nossa galáxia. A descoberta, descrita em um artigo científico publicado nesta quarta-feira (5) na revista Nature, foi feita por meio do Observatório Gemini, um programa do Laboratório Nacional de Pesquisa em Astronomia Óptica-Infravermelha dos EUA (NOIRLab).

Segundo as observações, as estrelas do fluxo estelar C-19 foram arrancadas de um antigo aglomerado e são relíquias dos primórdios da Via Láctea, que poderiam fornecer dados sobre a formação das primeiras estrelas.

Uma equipe internacional de pesquisadores, incluindo membros da União Europeia, Canadá e Rússia, é responsável pela descoberta, que fica ao sul da Via Láctea. Sua órbita se estende a cerca de 20 mil anos-luz do centro galáctico em sua posição mais próxima e cerca de 90 mil anos-luz em seu ponto mais distante. 

Segundo os cientistas, o sistema estelar se estende por uma impressionante área do céu noturno — cerca de 30 vezes a largura da Lua cheia — embora não seja visível a olho nu.

Usando o telescópio Gemini North, localizado no Havaí, e o instrumento Gemini Remote Access to CFHT ESPaDOnS Spectrograph (GRACES), ambos do Observatório Gemini, a equipe percebeu que o C-19 é um remanescente de um aglomerado globular. 

Pensava-se, anteriormente, que os aglomerados globulares tinham metalicidade não inferior a 0,2%, mas a do C-19 é sem precedentes: menos de 0,05%. A descoberta de que um fluxo de baixa metalicidade originou-se de um aglomerado globular tem implicações para a formação de estrelas, aglomerados estelares e galáxias no universo primitivo. 

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