
Mergulhar no Sol parece coisa de ficção científica, mas a pergunta sobre até onde alguém conseguiria “afundar” dentro da estrela ajuda a explicar como o astro funciona por dentro. Em um exercício teórico, cientistas usam dados de temperatura e densidade para mostrar por que o interior solar é, na prática, um ambiente impossível para qualquer forma de vida ou tecnologia conhecida.
Antes mesmo de chegar perto da superfície, existe outro desafio: o movimento da Terra. Segundo a NASA, o planeta se desloca a cerca de 67 mil milhas por hora, quase totalmente de lado em relação ao Sol. Para alcançá-lo, uma nave precisaria “cancelar” essa velocidade lateral, algo que só seria possível com manobras complexas e ajuda gravitacional de outros planetas.
O calor é o primeiro obstáculo evidente. A agência espacial norte-americana explica que o núcleo do Sol é a região mais quente, com temperaturas que passam de 27 milhões de graus Fahrenheit (15 milhões de graus Celsius). Já a parte que chamamos de superfície, a fotosfera, é relativamente mais “fria”, em torno de 10 mil graus Fahrenheit (5.500 °C).
Um dos maiores mistérios do Sol aparece na região externa. A corona, que forma a atmosfera solar, fica ainda mais quente à medida que se afasta da superfície, chegando a cerca de 3,5 milhões de graus Fahrenheit (2 milhões de °C), superando em muito a fotosfera.
Mesmo em um cenário imaginário com um traje capaz de suportar essas temperaturas, a densidade do material solar impõe um limite. A NASA aponta que a densidade do núcleo é de cerca de 150 gramas por centímetro cúbico, aproximadamente oito vezes a densidade do ouro e 13 vezes a do chumbo. Nessas condições, “afundar” até o centro seria fisicamente impossível.
Na corona, por outro lado, a densidade é extremamente baixa, em torno de 10⁻¹⁶ g/cm³, muito menor do que a da atmosfera da Terra. Isso significa que, teoricamente, seria fácil atravessar essa camada e seguir em direção às regiões internas, incluindo a zona de convecção.
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