Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 2 de julho de 2024 · 2 min de leitura ·

Aumento da umidade pode dificultar formação de furacões no Atlântico

Aumento da umidade pode dificultar formação de furacões no Atlântico

Um estudo recém-publicado no Journal of Advances in Modeling Earth Systems trouxe novas descobertas sobre como o aumento da umidade atmosférica pode influenciar os padrões climáticos na África e, consequentemente, a formação de furacões no Atlântico.

A pesquisa foi conduzida por cientistas do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica da Fundação Nacional de Ciência dos EUA (NSF NCAR), utilizando um modelo avançado que permite simulações detalhadas da formação de furacões.

Eles descobriram que um ambiente mais úmido na África, que é a origem de muitos sistemas climáticos que evoluem para furacões no Atlântico, pode enfraquecer e desacelerar as ondas de leste africanas. Essas ondas são distúrbios atmosféricos que atuam como precursores dos furacões. Segundo o novo estudo, a umidade adicional desloca a localização das tempestades dentro dessas ondas, dificultando seu crescimento e movimento.

Kelly Núñez Ocasio, cientista do NSF NCAR e principal autora do artigo, explicou em um comunicado que a complexidade do processo de formação de furacões, conhecido como ciclogênese, envolve eventos climáticos de pequena e grande escala ocorrendo simultaneamente. Essa complexidade sempre dificultou o estudo detalhado da formação de ciclones tropicais, como furacões.

Normalmente, modelos climáticos fornecem uma visão limitada sobre os eventos climáticos locais, o que impede a compreensão do papel de ingredientes específicos, como a umidade, na formação dos furacões. Para superar essa limitação, a equipe usou o Modelo de Previsão em Escalas (MPAS), que permite simular o clima tanto em nível local quanto global.

Com o MPAS, os pesquisadores reproduziram uma onda de leste africana úmida que originou o furacão Helene em 2006. Eles então ajustaram os níveis de umidade para observar os efeitos dessas mudanças. Descobriram que o aumento da umidade resultou em mais convecção e trovoadas, mas as ondas atmosféricas tiveram dificuldade em se desenvolver plenamente devido à convecção mais intensa.

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