Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 17 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

Bacia de pedra monumental revela segredos da engenharia e política romanas

Bacia de pedra monumental revela segredos da engenharia e política romanas

Arqueólogos liderados pelo professor Marcello Mogetta, da Universidade do Missouri, nos EUA, descobriram recentemente, no centro da antiga cidade romana de Gabii (Gábios), a 17 km a leste de Roma, os vestígios de uma enorme bacia de água revestida de pedra e parcialmente talhada no leito rochoso. 

Datada de cerca de 250 a.C., com indícios de seções ainda mais antigas, a estrutura pode ser um dos primeiros exemplos de arquitetura monumental romana além de templos e muralhas, oferecendo novas pistas sobre como e por que os romanos começaram a usar grandes obras públicas para organizar a vida urbana e comunicar poder.

Para Mogetta, a monumentalidade não servia apenas a propósitos práticos; ela também comunicava mensagens. “Esta descoberta nos dá uma visão rara de como os primeiros romanos experimentavam o planejamento urbano”, diz ele em um comunicado. “Sua localização – no centro da cidade, perto do cruzamento principal – sugere que pode ter sido uma piscina monumental que fazia parte do fórum da cidade ou o coração da vida pública nas cidades romanas. Como os arqueólogos ainda não sabem exatamente como era o antigo Fórum Romano, Gábios oferece uma visão inestimável de seu desenvolvimento.”

A equipe relaciona o achado com pesquisas anteriores em Gábios, como o chamado “Edifício da Área F”, um complexo em terraços escavado na encosta da antiga cratera vulcânica que moldou a cidade. Juntos, esses vestígios mostram como os romanos adaptaram modelos gregos – de templos a ágoras – para criar praças pavimentadas, grandes terraços e espaços cívicos pensados tanto para a função quanto para a imagem pública e a autoridade.

Gábios ocupa um papel particular na arqueologia do Lácio. Ao contrário de Roma, cujas camadas mais antigas foram profundamente enterradas por séculos de construções, essa cidade foi amplamente abandonada por volta de 50 a.C. e só depois reocupada em escala menor. “Por isso, as ruas e fundações originais de Gábios estão excepcionalmente bem preservadas, oferecendo um raro vislumbre da vida romana primitiva”, explica Mogetta.

Reconhecendo essa relevância, o Ministério da Cultura da Itália transformou o sítio em parque arqueológico, hoje integrado aos Musei e Parchi Archeologici di Praeneste e Gabii. Essa proteção tem permitido o avanço de iniciativas como o Projeto Gabii, consórcio internacional do qual Mogetta se tornou diretor no ano passado.

Compartilhe