
Esqueça o uivo aleatório! Uma nova pesquisa publicada na revista científica Current Biology revelou que cães de raças antigas, como a Samieda, possuem uma capacidade surpreendente de ajustar o tom de suas vozes para “cantar” junto com a música. O comportamento, observado em experimentos com sucessos pop e música clássica, sugere que a habilidade de coordenar o tom vocal em grupo surgiu muito antes do que a ciência imaginava.
Segundo o IFLScience, pesquisadores das universidades de Tufts e Harvard utilizaram uma abordagem de “ciência cidadã”, convidando tutores de raças de cães consideradas “antigas” – aquelas que guardam maior proximidade genética com os lobos – para registrar as reações de seus animais a estímulos sonoros.
Os cientistas selecionaram músicas que comprovadamente induziam os cães ao uivo e criaram versões transpostas: o tom original foi deslocado para cima e para baixo em 3 semitons. Entre as faixas utilizadas no teste estavam:
A análise acústica focou em três pilares: a frequência fundamental (correlata ao tom), o centroide espectral (que determina o timbre ou “cor” do som) e a duração do uivo.
Como a duração dos uivos não mudou entre as condições, os cientistas descartaram que o ajuste de tom fosse apenas uma reação ao estresse ou ao nível de agitação.
Para os autores do estudo, essa flexibilidade vocal evoluiu independentemente do aprendizado vocal complexo que nós, humanos, possuímos. A explicação pode estar na ancestralidade: lobos costumam “desafinar” ou ajustar seus uivos em exibições territoriais para fazer a alcateia parecer maior e mais forte.
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