Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 19 de fevereiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Bactéria de 5 mil anos já era resistente a 10 antibióticos atuais  

Bactéria de 5 mil anos já era resistente a 10 antibióticos atuais  

Um artigo publicado na segunda-feira (16) na revista Frontiers in Microbiology revela a descoberta de uma bactéria que ficou preservada por cerca de cinco mil anos em uma caverna de gelo na Romênia e, mesmo assim, já apresenta resistência a 10 antibióticos usados atualmente na medicina. 

Bactérias são organismos capazes de se adaptar a ambientes extremos, como desertos escaldantes e regiões congeladas. Cavernas de gelo subterrâneas estão entre esses locais inóspitos e abrigam microrganismos pouco estudados. Esses ambientes funcionam como verdadeiros cofres naturais, preservando formas de vida antigas e seu material genético ao longo de milhares de anos.

A cepa analisada, chamada Psychrobacter SC65A.3, foi isolada da Caverna de Gelo de Scărișoara. Segundo a pesquisadora Cristina Purcarea, do Instituto de Biologia de Bucareste, a bactéria carrega mais de 100 genes ligados à resistência a antibióticos e mesmo tendo origem milenar, suporta medicamentos amplamente utilizados na prática clínica atual.

O estudo indica que a resistência a antibióticos pode ser um fenômeno natural, anterior à descoberta desses remédios no século XX. Isso significa que, na natureza, microrganismos já desenvolviam mecanismos de defesa contra substâncias semelhantes a antibióticos produzidas por outros micróbios. Assim, a pesquisa ajuda a entender como essa resistência evolui e se espalha ao longo do tempo.

Para chegar aos resultados, os cientistas extraíram um núcleo de gelo de 25 metros de profundidade na área conhecida como Grande Salão da caverna. O material representa camadas formadas ao longo de aproximadamente 13 mil anos. Para evitar contaminação, os fragmentos foram armazenados em sacos estéreis e mantidos congelados até chegarem ao laboratório.

No laboratório, diferentes cepas bacterianas foram isoladas e tiveram seus genomas sequenciados. O objetivo era identificar genes relacionados à sobrevivência em baixas temperaturas e à resistência a antibióticos. A equipe testou a bactéria contra 28 antibióticos de 10 classes distintas, incluindo medicamentos usados rotineiramente ou reservados para casos graves.

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