Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 23 de abril de 2025 · 2 min de leitura ·

Bioluminescência: como e por que há animais que brilham?

Bioluminescência: como e por que há animais que brilham?

A bioluminescência, a capacidade de organismos vivos de emitir luz, é uma adaptação fascinante que desempenha papéis fundamentais na sobrevivência e evolução de inúmeras espécies.

Essa característica evoluiu independentemente em diversos grupos ao longo da história da vida, sendo especialmente prevalente em ambientes marinhos profundos. Estima-se que 76% dos organismos da zona mesopelágica (que vivem de 200 a 1.000 metros de profundidade) apresentam algum nível de bioluminescência.

De acordo com o artigo “Evolution of Bioluminescence in Anthozoa with Emphasis on Octocorallia”, a bioluminescência em octocorais (Anthozoa) remonta a mais de 540 milhões de anos e teria surgido como uma resposta a ambientes com pouca luz, proporcionando uma vantagem competitiva a organismos capazes de produzir luz. A descoberta foi publicada em 2023 no periódico Proceedings of the Royal Society B por Danielle M. DeLeo e colaboradores.

Esses organismos, encontrados predominantemente em águas profundas, utilizam a bioluminescência como um mecanismo multifuncional: para defesa, atração de presas e comunicação intraespécie. A pesquisa revela que a luz emitida por esses corais é resultado de proteínas fotônicas especializadas, que se ativam em resposta a estímulos externos, como o movimento de predadores ou correntes de água.

Medusas, como a Aequorea victoria, produzem luz por meio da interação entre a luciferina, uma molécula emissora de luz, e a enzima luciferase. Esse processo químico, chamado oxidação da luciferina, libera energia na forma de fótons, gerando luz fria, que não emite calor.

O mesmo mecanismo é encontrado em peixes como o peixe-pescador, que utiliza um apêndice luminoso para atrair presas, e em polvos e lulas, que emitem flashes de luz para confundir predadores.

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