Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 1 de dezembro de 2022 · 2 min de leitura ·

Brilho dos satélites “cegando” telescópios

Brilho dos satélites "cegando" telescópios

O satélite BlueWalker 3, lançado recentemente, é agora um dos objetos mais brilhantes do céu noturno e isso pode ser um problema para os observadores do Espaço. Enquanto alguns astrônomos dispõem de telescópios potentes, que conseguem captar boas imagens, a maioria das observações do Universo são registradas a partir da superfície da Terra.

Agora, segundo o Centro da União Astronômica Internacional para a Proteção do Céu Escuro e Silencioso contra a Interferência de Constelações de Satélites (IAU CPS), com esse novo satélite, destinado a ser o início de uma rede de comunicações em órbita, objetos menos brilhantes podem ser ofuscados pelo brilho do satélite.

O diretor do IAU CPS, Piero Benvenuti, declarou que “o BlueWalker 3 é uma grande mudança na questão dos satélites de constelações e deve nos dar todos os motivos para fazer uma pausa”. Astrônomos como Meredith Rawls, da Universidade de Washington, declarou que essa é uma situação que os astrônomos não querem.

Em entrevista à Science, a pesquisadora disse que o satélite “aparecerá como uma faixa super brilhante em imagens e potencialmente saturará os detectores de câmera nos observatórios”. Cabe destacar que o BlueWalker 3 é capaz de refletir muito mais luz do que os satélites Starlink, da SpaceX, por exemplo.

A intenção da AST SpaceMobile, empresa responsável pelo satélite, é colocar mais de 100 deles em órbita até o final de 2024. Provavelmente, os novos equipamentos serão ainda maiores que o BlueWalker 3. O que torna a preocupação dos astrônomos ainda mais pungente.

Além da interferência na visualização, há outro fator digno de atenção. O BlueWalker 3 foi construído para atuar como uma torre de telefonia celular no Espaço, portanto, ele usa frequências de rádio terrestres. Isso pode interferir na atuação dos radiotelescópios.

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