
Descobrir como medir a rotação dos buracos negros é um grande avanço para a astrofísica. Um estudo publicado nesta quarta-feira (22) na revista Nature revelou uma nova maneira de fazer isso, usando chamados eventos de ruptura de marés (TDEs) – explosões de energia causadas por buracos negros supermassivos devorando estrelas.
Imagine um buraco negro fazendo um lanche cósmico: uma estrela se aproxima demais e é destrinchada. Parte dessa estrela é lançada para longe, mas o que sobra forma um disco de plasma quente ao redor do buraco negro. Esse disco costuma oscilar – e agora os cientistas descobriram que essas oscilações podem nos ajudar a medir o giro do buraco negro.
O TDE específico analisado nesta pesquisa é chamado AT2020ocn. Os pesquisadores notaram que a emissão de raios-X desse evento apresentava um pico de luminosidade a cada 15 dias, repetindo-se várias vezes. Isso provavelmente é causado pela interação entre a rotação do disco de acreção e a rotação do buraco negro.
A gravidade intensa do buraco negro distorce massivamente o espaço-tempo ao seu redor e, ao girar, ele arrasta o espaço-tempo consigo. Esse efeito é conhecido como precessão de Lense-Thirring.
Normalmente, não podemos ver essa precessão porque os buracos negros não emitem luz. No entanto, se houver algo brilhante ao redor deles, como os destroços de uma estrela recentemente destruída, a precessão se torna visível. Com base nas estimativas da massa do buraco negro e da estrela, os cientistas determinaram que a rotação do buraco negro é inferior a 25% da velocidade da luz.
Os flashes de raios-X foram observados por 130 dos 200 dias em que o objeto foi monitorado, até que o disco desapareceu. Essas observações foram feitas pelo telescópio NICER (sigla em inglês para Explorador da Composição Interior de Estrelas de Nêutrons), que está acoplado à Estação Espacial Internacional.
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