Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de julho de 2022 · 2 min de leitura ·

Buraco negro é descoberto por time especializado em desmentir buracos negros

Buraco negro é descoberto por time especializado em desmentir buracos negros

Talvez no que seja a ironia desta semana, um time especializado em desmentir descobertas de buracos negros acabou descobrindo…um buraco negro. O objeto em questão também veio de forma peculiar: ao contrário de outros do gênero, este buraco negro se encontra dormente, posicionado na Grande Nuvem de Magalhães, uma de nossas galáxias vizinhas, e veio de uma estrela que não deu sinais de uma grande explosão.

Normalmente, buracos negros são formados a partir de explosões estelares conhecidas como “supernovae”: essencialmente, uma estrela de massa várias vezes maiores que a do Sol queima todo o seu hidrogênio e, uma vez sem o seu combustível, entra em colapso em relação à sua própria pressão, explodindo de forma caótica, luminosa e bastante notável, deixando o buraco negro – um objeto extremamente denso do qual nem mesmo a luz pode escapar – para trás.

O time por trás desta descoberta inclui os astrônomos Tomer Shenar e Kareem El-Badry, vulgo “destruidor de buracos negros”. “Pela primeira vez, o nosso time se juntou para relatar a descoberta de um buraco negro, e não a rejeição de um”, disse Shenar, um pesquisador a serviço da Universidade Marie Curie, em Amsterdã, na Holanda.

Os especialistas afirmam que a ausência de uma explosão notável torna este o primeiro buraco negro de classe estelar em estado de dormência fora da Via Láctea – embora isso ainda esteja pendente de confirmação. A ele, os cientistas deram o nome de “VFTS 243”.

O sistema onde este objeto foi descoberto é o que chamamos de “sistema estelar binário”, onde duas estrelas companheiras orbitam uma circunferência ao redor de um mesmo centro de massa. Neste caso, uma das estrelas entrou em colapso, deixando o buraco negro como companheiro da outra estrela.

Por quase não emitir nenhuma onda de raio-x, o time concluiu que se trata de um objeto dormente. Aliás, essa é uma das razões pelas quais a outra estrela ainda segue viva: fosse diferente a situação, certamente o buraco negro estaria em processo de absorvê-la.

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