
Além do famoso Sagittarius A*, o gigantesco buraco negro central da galáxia, a Via Láctea tem mais de 100 mil outros. Alguns deles são os chamados buracos negros estelares, que são formados pelo colapso gravitacional de uma estrela massiva ao final de seu tempo de vida. O mais massivo deste tipo acaba de ser encontrado – e bem pertinho da Terra, em termos astronômicos.
Esse gigante adormecido foi descoberto com o telescópio espacial Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA), que rastreia o movimento de bilhões de estrelas em nossa galáxia. Publicada nesta terça-feira (16) na revista Astronomy & Astrophysics, a nova descoberta representa a primeira vez que um grande buraco negro estelar foi encontrado nas proximidades do Sistema Solar.
Designado Gaia-BH3, ele é 33 vezes mais massivo que o Sol. O buraco negro estelar mais massivo encontrado anteriormente na Via Láctea foi um monstro cósmico em um binário de raios-X na constelação de Cygnus (Cyg X-1), com cerca de 20 massas solares. A média de massa desse tipo de buraco negro na galáxia é de aproximadamente 10 vezes a massa do Sol.
Localizado a apenas dois mil anos-luz da Terra, Gaia-BH3 é o segundo buraco negro mais próximo do nosso planeta já descoberto, depois de Gaia-BH1, que está a 1.560 anos-luz de distância. Gaia-BH1 tem uma massa cerca de 9,6 vezes maior que a do Sol, o que faz dele consideravelmente menor do que o buraco negro recém-descoberto.
George Seabrook, cientista do Laboratório de Ciência Espacial Mullard da University College London e membro da Força-Tarefa de Buracos Negros de Gaia, disse em comunicado da ESA que Gaia BH3 é uma pista importante para a população de buracos negros estelares.
Embora seja o buraco negro estelar mais massivo encontrado na Via Láctea, ele é minúsculo em comparação ao buraco negro supermassivo que domina o coração da galáxia, Sagitário A* (Sgr A*), que tem uma massa 4,2 milhões de vezes maior que a do Sol. Buracos negros desse tipo não são criados pela morte de estrelas massivas, mas sim por fusões de buracos negros que vão se tornando progressivamente maiores.
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