Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 28 de novembro de 2022 · 2 min de leitura ·

Busca frustrada por sinal-chave traz novas informações sobre o “amanhecer cósmico”

Busca frustrada por sinal-chave traz novas informações sobre o “amanhecer cósmico”

Em um dos primeiros estudos astrofísicos sobre o “amanhecer cósmico” (período que compreende o início do universo, quando as primeiras estrelas surgiram), uma equipe internacional de pesquisadores conseguiu informações importantes sobre as primeiras galáxias que se formaram. 

Usando dados do radiotelescópio indiano SARAS 3, astrônomos liderados pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido, foram capazes de observar o universo muito jovem – apenas 200 milhões de anos após o Big Bang – e especificar limites na massa e na produção de energia das primeiras estrelas e galáxias.

Eles fizeram isso enquanto procuravam pelo sinal conhecido como “linha de hidrogênio de 21 centímetros”, que não foi detectado. Essa não detecção possibilitou que os cientistas fizessem outras determinações sobre o período, permitindo-lhes descartar certos cenários, como galáxias que foram aquecedores ineficientes de gás cósmico e produtores eficientes de emissões de rádio.

Embora ainda não possamos observar diretamente essas primeiras galáxias, os resultados, descritos em um artigo publicado nesta segunda-feira (28) na revista Nature Astronomy, representam um passo importante na compreensão de como nosso universo se transformou de algo praticamente vazio para um espaço cheio de estrelas.

Segundo o site Phys.org, o projeto Square Kilometre Array (SKA) – envolvendo dois telescópios de próxima geração que devem ser concluídos até o fim desta década – provavelmente será capaz de fazer imagens do universo primitivo, mas para os telescópios atuais o desafio é detectar o sinal cosmológico das primeiras estrelas irradiadas por espessas nuvens de hidrogênio.

É este sinal que é chamado de linha de 21 centímetros – um indicativo de rádio produzido por átomos de hidrogênio. Análises feitas com radiotelescópios como o Radio Experiment for the Analysis of Cosmic Hydrogen (REACH) podem nos dizer sobre populações inteiras de galáxias ainda mais antigas. Os primeiros resultados do REACH são esperados para o início de 2023.

Compartilhe