Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 30 de dezembro de 2021 · 3 min de leitura ·

Canibalismo? Especialistas dizem que humanos devorariam uns aos outros no espaço

Canibalismo? Especialistas dizem que humanos devorariam uns aos outros no espaço

Dois cientistas -um da Universidade de Edimburgo, na Escócia; e outro da Universidade Estadual de Portland, nos EUA – levantaram a possibilidade de que os humanos recorreriam ao canibalismo caso decidissem explorar o espaço sem as devidas precauções.

Os doutores e professores das instituições, Charles Cockell e Cameron Smith, usaram de seus estudos para sugerir que, antes de nos empolgarmos demais com a possibilidade de irmos a áreas nunca antes exploradas, nós comecemos devagar, estabelecendo colônias na Lua ou Marte, onde o envio de suprimentos da Terra ainda seriam possíveis – ou arriscar que nós acabemos matando nossos companheiros por comida.

É válido ressaltar que o cenário que o par de estudiosos estabelece é bastante específico: os dois excluíram a maioria dos planetas do nosso sistema solar da possibilidade de habitações viáveis (sob o argumento de que eles não têm superfície ou a superfície deles é inóspita demais para nós), posicionando as luas Calisto (Júpiter) e Titã (Saturno) como “possíveis novas casas” para a humanidade.

Antes de tudo, Cockell afirmou que a estratégia de deixar o nosso planeta em razão da falência climática trazida pelo aquecimento global seria algo “catastroficamente ruim”, segundo suas próprias palavras ao jornal britânico Metro. Ao invés disso, a melhor ideia seria a de espalhar a raça humana, como se fosse uma “apólice de seguros” contra a extinção. Ou seja, se uma parte falhar e morrer, a outra pode seguir em frente.

“Os sistemas posicionados devem ser muito confiáveis e é por isso que precisaremos fazer testes antes”, disse Cockell. “Isso é baseado em dados históricos – a expedição de John Franklin tentou encontrar uma passagem direta entre o norte e o oeste do Ártico em barcos ao final do século XIX – eles tinham as tecnologias mais sofisticadas da época. Eles tinham comida enlatada, que também era uma nova tecnologia – e mesmo assim, eles se perderam, ficaram à deriva e degeneraram ao canibalismo”.

Cockell refere-se à chamada “Expedição Perdida de Franklin”, que deixou o Reino Unido em 1845 em busca de explorar a região ártica. Dotada de dois navios – o HMS Erebus e o HMS Terror -, a viagem acabou em desastre quando ambas as embarcações ficaram presas no gelo do Estreito de Victoria, no norte do Canadá. Depois de um ano sobrevivendo com os recursos que tinham (e que acabaram nesse período), em abril de 1848, o capitão John Franklin e outros 24 marinheiros já haviam morrido, e a ordem de abandono dos navios foi dada pelo segundo em comando, Francis Crozier.

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