
Entre o final de 2019 e o começo de 2020, três capivaras foram encontradas mortas na Ilha Anchieta, no município de Ubatuba (SP). Um estudo realizado pelo Instituto Pasteur determinou recentemente a causa. Os animais foram infectados com uma variante do vírus da raiva, presente em morcegos-vampiros, que causou encefalite (inflamação do cérebro) e levou à falência cerebral.
Este é o terceiro caso de raiva em capivaras no mundo e o segundo no Brasil. Especialistas estão preocupados com a possibilidade de transmissões e sugerem o monitoramento do vírus nos animais.
Em 2019, algumas ruínas na Ilha Anchieta passaram por reformas. Durante as obras, o telhado de uma construção foi reconstruído, fazendo com que os morcegos perdessem temporariamente seus abrigos.
Logo depois, as capivaras que viviam na região foram encontradas mortas por funcionários da Fundação Florestal do parque. Acredita-se que esse distúrbio no habitat dos morcegos tenha colocado os animais em contato com as capivaras, resultando na transmissão. Enio Mori, pesquisador do Instituto Pasteur, explica à Agência FAPESP como as infecções podem se proliferar nesses casos:
Em momentos como esse, há grande estresse nas colônias e muitas brigas entre os morcegos. Com isso, podem passar a raiva uns aos outros, aumentando as chances de transmiti-la para os animais silvestres dos quais eles se alimentam, como as capivaras.
No começo deste ano, foi determinada como raiva a causa da morte de um gambá encontrado em 2021 no Parque Bosque dos Jequitibás, na região central de Campinas. O Olhar Digital noticiou o caso, que também acedeu um alerta sobre a circulação do vírus.
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