Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 11 de fevereiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Catálogo com 24 milhões de estrelas revela histórico químico da Via Láctea

Catálogo com 24 milhões de estrelas revela histórico químico da Via Láctea

Um time internacional de pesquisadores, incluindo membros da Universidade de Notre Dame, na França, e colaboradores na China e Austrália, publicou em estudo um novo catálogo de amostras com dados de mais de 24 milhões de estrelas. O material pode ser usado como base na pesquisa do histórico químico da Via Láctea, um passo importante para compreender a formação de corpos como estrelas e planetas na nossa “vizinhança” no espaço.

O estudo marca um avanço notável para o campo conhecido como “arqueologia galáctica”, ao usar um novo método que mede a luz de cada estrela para aferir a abundância de metais pesados, como o ferro, bem como suas distâncias, movimentos e idades.

Tradicionalmente, o meio mais comum para se fazer esse tipo de cálculo vinha por meio da análise do espectro de baixa e média resolução dentro de uma amostra de estrelas. Tal método, porém, é incrivelmente demorado e metódico, e um erro no meio do processo faz com que ele seja reiniciado desde o princípio.

“As abundâncias elementais de estrelas individuais podem ser traçadas até o enriquecimento químico da Via Láctea, desde quando ela começou a formar estrelas, pouco depois do Big Bang, até o tempo presente”, disse Timothy Beers, professor de Física na Universidade de Notre Dame e co-autor do estudo.

“Ao combinar essa informação com as distâncias e movimentos estelares, nós conseguimos restringir a origem de diferentes componentes da galáxia, tais como populações de discos e anéis”, ele continuou. “Adicionando a idade estimada (das estrelas), nós colocamos um ‘relógio’ neste processo, então um panorama muito mais completo dele pode ser determinado”.

O novo trabalho de Beers pode ser muito útil na análise de estrelas com baixo teor de metais pesados (ele próprio assume um interesse em objetos com 1% ou menos da taxa de ferro do Sol). Como esses corpos nasceram no início do universo e foram perdendo seu teor metálico ao longo das eras, eles podem revelar a origem dos elementos da tabela periódica.

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