
Um enterro duplo de quase dois mil anos descoberto onde hoje fica a Croácia sempre intrigou os historiadores. No local, foram encontrados dois bebês gêmeos, um menino e uma menina, um de frente para o outro.
Por anos, cientistas especularam sobre as causas das mortes. Agora, um estudo publicado no Journal of Archaeological Science: Reports pode finalmente revelar este mistério. A hipótese levantada é que os óbitos ocorreram por envenenamento por chumbo.
De acordo com o novo estudo, o envenenamento por chumbo é uma opção bastante realista para explicar as mortes. O material era difundido no mundo romano, sendo usado em canos e utensílios de cozinha. Também há evidências de compostos de chumbo sendo utilizados até como adoçantes no vinho e como conservantes de frutas.
As condições esqueléticas dos gêmeos são consistentes com os efeitos da exposição ao chumbo, como aumento da porosidade óssea e reações periosteais, ou nova formação óssea que ocorre quando os ossos enfraquecidos pelo envenenamento por chumbo são fraturados, escreveram os pesquisadores no estudo.
A exposição crônica ao chumbo pode interromper processos metabólicos como a síntese de hemoglobina, a produção de espermatozoides e a função neural, e também pode dificultar a absorção de nutrientes, que pode se manifestar tanto na mãe quanto nos bebês em desenvolvimento. Dessa forma, os pesquisadores afirmam que é absolutamente possível que o chumbo tenha sido passado para os gêmeos durante a gravidez e/ou via leite materno.
Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
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