Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 11 de julho de 2024 · 2 min de leitura ·

Cerca de 5 mil satélites são deslocados por evento solar extremo

Cerca de 5 mil satélites são deslocados por evento solar extremo

Conforme noticiado pelo Olhar Digital, uma mancha solar gigantesca com 15 vezes o tamanho da Terra explodiu uma longa sequência de erupções solares de classe X (o tipo mais poderoso) no início de maio. Como consequência, entre os dias 10 e 12, nosso planeta enfrentou a maior tempestade geomagnética dos últimos 20 anos.

De acordo com a plataforma de meteorologia e climatologia espacial Spaceweather.com, um dos efeitos mais graves sentidos pela Terra foi um deslocamento conjunto de cerca de cinco mil satélites em órbita, caracterizando a maior migração em massa de espaçonaves da história.

Esses satélites precisaram ajustar suas altitudes para escapar dos efeitos da intensa tempestade geomagnética de classe G4 (considerada severa em uma escala que vai de G1 a G5) que ameaçava derrubá-los. Esse evento histórico foi detalhado em um artigo aceito para publicação pelo Journal of Spacecraft and Rockets.

“A maioria desses satélites eram da constelação Starlink, da SpaceX”, explicou William Parker, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), EUA, principal autor do estudo. Segundo ele, cada satélite Starlink tem capacidade autônoma para manter sua posição e evitar colisões. “Quando sentiram os efeitos da tempestade, milhares de satélites decidiram manobrar para evitar problemas”.

O aumento repentino no arrasto atmosférico foi o motivo dessa movimentação. A tempestade solar causou um acúmulo massivo de energia na atmosfera da Terra, fazendo com que ela se expandisse. Como resultado, camadas de ar aquecido atingiram o espaço e começaram a puxar os satélites para baixo.

“A supertempestade atingiu uma potência máxima de 2,63 terawatts”, afirmou Martin Mlynczak, cientista aposentado do Centro de Investigação Langley, da NASA. Usando dados infravermelhos da espaçonave TIMED, da agência espacial norte-americana, Mlynczak estimou a quantidade de energia térmica liberada na alta atmosfera. “Foi energia suficiente para abastecer minha casa por 10 milhões de anos”.

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