
A missão Chandrayaan-3, liderada pela Índia e a primeira da história a pousar no polo sul da Lua, tem revelado informações muito valiosas desde o dia 23 de agosto deste ano. Mas a mais recente delas é também a mais surpreendente. Segundo a Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO), foi encontrada uma concentração de enxofre maior do que a esperada no local. A descoberta pode ajudar nos planos para realizações de missões de longa duração na Lua.
Se confirmada, essa descoberta indica que os solos próximos aos polos lunares podem ter composições fundamentalmente diferentes do restante da superfície da Lua. Isso poderia ser explicado pelo fato de os polos receberem menos luz solar direta.
Além disso, sugere uma possibilidade de extração do recurso durante futuras bases de longa duração na Lua. Essa possibilidade diminuiria a necessidade de viagens de volta à Terra para obter suprimentos e, por consequência, mais tempo e energia gastos explorando a superfície lunar.
Usando enxofre, os astronautas poderiam construir células solares e baterias, misturar fertilizantes à base da substância e até fazer concreto à base de enxofre para construção. Este último tem vários benefícios em comparação com o concreto normalmente usado em projetos de construção na Terra, sendo mais resistente ao desgaste, além de não requerer água na mistura.
Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Bruno Capozzi é jornalista, mestre em Ciências Sociais e editor executivo do OD.
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