
Um artigo científico aceito pela revista Science Bulletin, que será publicado na edição do próximo sábado (26), descreve uma incrível descoberta feita pela missão Chang’e-4, da China. O rover Yutu-2 descobriu dois glóbulos macroscópicos de vidro translúcido durante sua exploração no chamado lado oculto da Lua, o que poderia potencialmente ajudar a revelar a história do nosso satélite natural.
De acordo com o estudo, o rover lunar chinês capturou as imagens dos dois glóbulos translúcidos usando sua câmera panorâmica. Nenhuma informação referente à composição dos objetos foi obtida. No entanto, de acordo com a pesquisa, sua morfologia única e seu contexto local sugerem que eles são provavelmente vidros de impacto — ocasionados pela condensação de anortositos — em vez de ser de origem vulcânica ou entregues de outros corpos planetários, segundo os pesquisadores.
Anortositos lunares estão entre as principais rochas dos relevos altos da Lua, que se formaram no oceano de magma lunar.
Segundo Zhiyong Xiao, principal autor da nova abordagem, os glóbulos são diferentes das amostras de contas de vidro coletadas pelas missões Apollo, “pois são maiores em tamanho e exibem cores”.
Xiao é professor associado no Laboratório de Pesquisa Ambiental e Astrobiológica Planetária da Universidade Sun Yat-sen, na China. Seu foco de estudo é em processos de superfícies planetárias, especialmente a formação de crateras de impacto e a história de impacto em corpos do sistema solar interior.
Ainda de acordo com o novo estudo, já se previa que os glóbulos de vidro seriam abundantes nas terras altas lunares, fornecendo alvos promissores de amostragem que poderiam revelar a história dos impactos iniciais da Lua.
Entre para comentar.