Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 22 de fevereiro de 2023 · 2 min de leitura ·

Chuvas no Litoral Norte: há 56 anos, deslizamento matou 450 pessoas 

Chuvas no Litoral Norte: há 56 anos, deslizamento matou 450 pessoas 

No último final de semana (Carnaval), moradores e turistas do Litoral Norte de São Paulo viveram tragédia histórica após fortes chuvas devastarem a região. Embora o temporal seja considerado um marco com o maior registro de volume de chuvas do Brasil e, até o momento, com 48 vítimas, essa não é a primeira vez que a extensão das praias sofre com o deslizamento de terra. 

Há quase 56 anos, moradores de Caraguatatuba viviam outra catástrofe marcante. De acordo com informações do G1, parte da Serra do Mar deslizou sobre a cidade em março de 1967, deixando 450 mortos e 3 mil desaparecidos, segundo registros oficiais. 

Na época, com 15 mil habitantes, o desastre foi considerado um dos maiores da história, impulsionando a criação da Defesa Civil do Estado de São Paulo — os incêndios dos Edifícios Andraus (1972) e Joelma (1974) também reforçaram a necessidade da criação de um órgão que prevenisse ou minimizasse as consequências de desastres. 

Conforme atualização da Defesa Civil, a recente tragédia do Litoral Norte que atingiu principalmente a costa sul de São Sebastião fez 48 vítimas até agora (47 em São Sebastião e uma em Ubatuba) e tem quase 60 desaparecidos, sem contar as famílias desabrigadas. As equipes de resgate entraram nesta quarta-feira (22) no quarto dia de buscas. 

A origem dos deslizamentos atuais ainda são os mesmos de praticamente 56 anos atrás: liquefação do solo. O fenômeno acontece quando a água das chuvas deixa a terra cada vez mais saturada — perdendo a resistência — até que o solo se transforma em lama. Em regiões íngremes, o risco de deslizamento é maior. 

Em entrevista ao Olhar Digital, a meteorologista da Climatempo Maria Clara Sassaki explicou que cidades do litoral registraram chuvas de quase 700mm, muito mais do que o dobro esperado para todo o mês de fevereiro — a média histórica para o mês fica entre 200 e 300mm na região. Para o engenheiro especialista em riscos e segurança Gerardo Portela, o agravamento das consequências está diretamente ligado às condições precárias de infraestrutura.  

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