
Toda região central e leste dos Estados Unidos está em alerta para temperaturas rigorosamente frias neste inverno. As condições climáticas em grande parte do Meio-Oeste e dos Grandes Lagos são de nevasca com potencial de se transformar em um poderoso “ciclone bomba”, oriundo da desestabilização do vórtice do Ártico.
Em entrevista à Newsweek, o climatologista do MIT e diretor de previsão sazonal da Atmospheric and Environmental Research, Judah Cohen, relacionou o aquecimento global e a repercussão desse fenômeno no inverno. De acordo com Cohen, à medida que as temperaturas médias globais aumentam, as temperaturas do inverno estão aumentando a um ritmo mais lento do que o esperado.
Uma explicação para essa diferença de aquecimento é que no Ártico o movimento do ar ao redor do Polo Norte foi interrompido. Normalmente, o ar frio no Ártico fica retido dentro do círculo polar ártico por um anel de ar que circunda o Polo Norte, chamado de vórtice polar estratosférico.
Segundo Cohen, esse fenômeno, em seu estado normal, age como uma “barreira que separa o ar frio ao norte sobre o Ártico e o ar mais ameno ao sul através das latitudes médias”. No entanto, à medida que as temperaturas sobem, esse vórtice pode se tornar menos estável.
O aumento da temperatura pode tornar o vórtice menos circular e, portanto, aquele ar frio que antes ficava aprisionado dentro dele, passa a se expandir para o sul até as latitudes médias, incluindo os EUA, a Europa e o Leste Asiático.
Ainda é incerto se a causa da desestabilização do vórtice é uma consequência direta das mudanças climáticas, porém, esse fenômeno está ocorrendo com mais frequência nas últimas décadas. Outro ponto importante está relacionado com o aumento da temperatura do Ártico que subiu quatro vezes mais rápido que o resto do mundo nos últimos 40 anos.
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