
Uma decisão da Câmara de Vereadores de Linhares, no Espírito Santo, fez com que a cidade se tornasse uma das primeiras no mundo a reconhecer suas ondas como seres vivos. Isso permite que elas sejam consideradas personalidades jurídicas, uma forma de preservação da foz do Rio Doce.
Para a advogada ambiental Vanessa Hasson, diretora executiva da ONG Mapas, especializada pela Faculdade de Saúde Pública da USP, a lei também pode servir como uma ferramenta pedagógica. Segundo ela, a decisão pode despertar um novo entendimento sobre nossa interdependência com a natureza. É uma lei que faz você pensar e agir de forma mais consciente e ecológica, afirmou.
Já o professor Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico da USP, especialista em ecossistemas marinhos, vê a lei como um importante passo para a conservação costeira: Ele destaca que o reconhecimento da qualidade da onda e das reservas de surf remetem para diferentes significados do ambiente marinho, que precisam ser protegidos.
O especialista também reforça a importância de entendermos o oceano como um sistema interconectado. Ele explica que a tragédia em Mariana, por exemplo, fez com que uma grande quantidade de lama chegasse à foz do rio Doce, modificando a morfologia da costa e, especialmente, a forma como a onda interage com ela.
Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
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