Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 4 de agosto de 2021 · 2 min de leitura ·

Cientistas afirmam que “rugosidade” da Lua pode ajudá-la a esconder água

Cientistas afirmam que “rugosidade” da Lua pode ajudá-la a esconder água

Em um novo estudo, a Nasa argumenta que a Lua pode esconder água em suas “rugosidades”, ou seja, nas crateras e outras irregularidades de sua superfície. O problema: embora o modelo do estudo tenha solidez científica, ainda não é possível afirmar isso como um fato.

A existência de água na Lua vem gerando confusão no meio científico há anos: desde as viagens das missões Apollo, astronautas e pesquisadores identificaram indicadores da presença de água congelada na superfície do nosso satélite natural. Entretanto, segundo o nosso entendimento da física e da termodinâmica, isso não deveria ser possível.

Isso porque a Lua não tem uma atmosfera grossa o suficiente para promover a regulagem da temperatura. Assim sendo, o lado “diurno” — iluminado pelo Sol — pode chegar a temperatura suficiente para ferver a água, sendo que, na sombra, a temperatura desce para cerca de -150 °C (Celsius), muito abaixo do ponto de congelamento. Ainda que o volume de água congelada fosse grande, qualquer traço dela seria fervido pela nossa estrela. Entretanto, vários estudos mostraram haver presença de água no lado iluminado.

“Há mais de uma década, espaçonaves detectaram a possível presença de água na superfície iluminada da Lua, e isso foi confirmado pelo Observatório Estratosférico de Astronomia Infravermelha [‘SOFIA’, na sigla em inglês] da Nasa em 2020”, disse Björn Davidsson, astrofísico do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da agência espacial americana.

“A princípio”, ele continuou, “essas observações não explicavam muito: a água não deveria sobreviver em um ambiente hostil. Isso desafia a nossa compreensão da superfície da lua e levanta questões intrigantes sobre como substâncias voláteis, como o gelo de água, podem sobreviver em corpos sem ar”.

Em seu estudo, Davidsson — que assina a autoria junto de Sona Hosseini — atualizou o modelo de corpo lunar, considerando que suas crateras e imperfeições são bem mais aprofundadas e densas do que se imaginava. Diante disso, eles identificaram a possibilidade de que essas rugosidades permitiam à Lua esconder água — mesmo no seu lado iluminado pelo Sol.

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