
Cada galáxia, incluindo a Via Láctea, tem em seu centro um enorme buraco negro cuja gravidade influencia as estrelas ao seu redor. Geralmente, as estrelas orbitam ao redor do buraco negro sem incidentes, mas, às vezes, uma estrela passa um pouco perto demais e… é devorada, em um processo que os cientistas têm chamado de “espaguetificação”.
“A gravidade ao redor do buraco negro destruirá essas estrelas azaradas, fazendo com que elas sejam espremidas em filamentos e caiam no buraco negro”, diz Vikram Ravi, professor assistente de astronomia do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech). Segundo Ravi, esse é um processo “muito confuso” porque “as estrelas não vão em silêncio”.
Isso quer dizer que, à medida que as estrelas são devoradas, seus restos giram em torno do buraco negro e brilham com a luz de diferentes frequências, que os telescópios podem detectar. Em alguns casos, os restos estelares são expelidos em jatos poderosos que brilham com ondas de luz de radiofrequência.
Ravi e sua equipe, incluindo dois estudantes de pós-graduação da Caltech, detectaram algo que parece ser uma dessas “refeições” de buracos negros — também conhecidos como eventos de perturbação das marés, ou TDEs, na sigla em inglês — usando observações de arquivo feitas por radiotelescópios.
Dos cerca de 100 TDEs que foram descobertos até agora, este é apenas o segundo suspeito que foi identificado usando ondas de rádio. O primeiro foi descoberto em 2020 por Marin Anderson, um pós-doutorando do Laboratório de Propulsão da Nasa (JPL), que é gerenciado pelo Caltech.
“Os TDEs são descobertos principalmente em luz óptica e de raios-X, mas por esses métodos podem estar faltando alguns TDEs, como aqueles enterrados em poeira”, diz Ravi, autor principal de um artigo sobre as descobertas aceito para publicação no The Astrophysical Journal. “Este estudo demonstra o poder das pesquisas de rádio para descobrir TDEs”.
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