
Os elementos terras raras vêm ganhando cada vez mais importância na corrida tecnológica global. Presentes em produtos como celulares, veículos elétricos, turbinas eólicas e sistemas de telecomunicações, esses metais são considerados essenciais para o avanço de tecnologias verdes e de alta performance. O problema é que sua mineração envolve desafios geológicos, econômicos e ambientais, além de forte concentração da cadeia produtiva na China.
Nesse cenário, pesquisadores brasileiros vêm apostando na reciclagem de resíduos eletroeletrônicos como alternativa para recuperar parte desses materiais críticos. Um dos alvos são as lâmpadas fluorescentes, que apesar de estarem em desuso, ainda representam uma fonte relevante de terras raras e, ao mesmo tempo, um passivo ambiental por causa da presença de mercúrio.
“As lâmpadas fluorescentes têm uma quantidade razoável de terras raras e, além de tudo, elas têm mercúrio”, afirmou o professor Sidney Ribeiro, do Instituto de Química de Araraquara da Unesp, em entrevista ao Olhar Digital. “É um horror, tanto pelo aspecto poluidor da presença do mercúrio quanto pela presença das terras raras com alto valor agregado.”
Segundo o pesquisador, o interesse pelas lâmpadas fluorescentes surgiu justamente dessa combinação entre risco ambiental e potencial econômico. “Numa lâmpada, a grosso modo, a gente tem um por cento da massa da lâmpada total constituído de compostos de terras raras”, disse. “Faz sentido quando você pensa que são um milhão de lâmpadas que são comercializadas por ano no Brasil e só um por cento é reciclado.”
As terras raras presentes nesse tipo de resíduo estão concentradas no pó branco que recobre a parte interna do tubo de vidro. “Ela tem um pó branco que recobre o tubo no seu interior”, explicou Ribeiro. “É desse pó que a gente extrai a terra rara.”
As terras raras são valorizadas por suas propriedades ópticas, redox e magnéticas singulares, que as tornam fundamentais para o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis atuais e futuras. Ao mesmo tempo, sua extração a partir de jazidas minerais costuma ser complexa, cara e ambientalmente agressiva.
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