Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 17 de junho de 2022 · 2 min de leitura ·

Cientistas descartam possibilidade de existência de vida na atmosfera de Vênus

Cientistas descartam possibilidade de existência de vida na atmosfera de Vênus

Há décadas, astrônomos especulam a possibilidade de haver vida nas nuvens de Vênus, o que poderia explicar sua composição química incomum. Agora, pesquisadores da Universidade de Cambridge descobriram que não existe qualquer evidência biológica na atmosfera venusiana. 

Mesmo que Vênus seja desprovido de vida, os cientistas dizem que seus resultados, relatados na revista Nature Communications na terça-feira (14), poderiam ser úteis para estudar as atmosferas de planetas semelhantes em toda a Via Láctea e a eventual detecção de vida fora do nosso sistema solar.

“Passamos os últimos dois anos tentando explicar a estranha química de enxofre que vemos nas nuvens de Vênus”, disse o coautor do estudo, Paul Rimmer, professor do Departamento de Ciências da Terra de Cambridge. “A vida é muito boa em química estranha, então estamos estudando se há uma maneira de fazer da vida uma explicação potencial para o que vemos”.

Os pesquisadores usaram uma combinação de modelos atmosféricos e bioquímicos para estudar as reações químicas que devem ocorrer, dadas as fontes conhecidas de energia química na atmosfera de Vênus.

“Olhamos para o ‘alimento’ à base de enxofre disponível na atmosfera venusiana — não é nada que você ou eu gostaria de comer, mas é a principal fonte de energia disponível”, disse Sean Jordan, do Instituto de Astronomia de Cambridge, primeiro autor do artigo. “Se esse alimento está sendo consumido pela vida, devemos ver evidências disso através de produtos químicos específicos sendo perdidos e ganhos na atmosfera”.

Os modelos simularam uma característica particular da atmosfera venusiana — a abundância de dióxido de enxofre (SO2). Na Terra, a maioria do SO2 da atmosfera vem de emissões vulcânicas. Em Vênus, há altos níveis de SO2 mais baixo nas nuvens, mas de alguma forma ele é “sugado” da atmosfera em altitudes mais altas.

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