
Um estudo publicado na última semana, na revista científica Cell, descreve um experimento que pode revelar como funciona a interação neurológica em organismos que não são dotados de um cérebro central. A pesquisa foi feita com base em observações realizadas em um tipo minúsculo de água-viva normalmente encontrado nas águas do Atlântico Nordeste e no Mar Mediterrâneo.
Composta por cientistas dos EUA e da França, a equipe optou por analisar exemplares de Clytia Hemisphaerica, considerado um modelo perfeito para estudar esse tipo de comportamento. Como essa espécie específica de água-viva é tão pequena (tem apenas cerca de um centímetro de diâmetro), todo o seu sistema nervoso pode caber facilmente sob a lente de um microscópio.
Além disso, conforme ressalta o Science Alert, seu genoma é bastante simples, e seu corpo transparente contém apenas cerca de 10 mil neurônios, o que torna mais fácil rastrear mensagens neurais.
Quando os pesquisadores modificaram geneticamente a água-viva para que seus neurônios brilhassem quando ativados, eles encontraram um “grau imprevisto de organização neural estruturada”.
O sistema nervoso das águas-vivas se desenvolveu há mais de 500 milhões de anos e mudou muito pouco desde então. Em comparação com os cérebros dos animais atuais, os neurônios nesses ‘fósseis vivos’ são organizados de uma maneira muito mais simples.
Mas se não existe um sistema centralizado que coordene todos os movimentos da criatura, então como seu corpo funciona? De acordo com a nova pesquisa, os neurônios dessa “micromedusa” estão dispostos em uma rede semelhante a um guarda-chuva, que espelha a organização de seu corpo. Esses neurônios são então divididos em fatias, quase como uma pizza.
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